quinta-feira, 22 de março de 2012

Os olhos de quem vê




Um dia, um pai de família rica, grande empresário, levou seu filho para viajar a um lugarejo com o firme propósito de mostrar o quanto as pessoas podem ser pobres. O objetivo era convencer o filho da necessidade de valorizar os bens materiais que possuía, o status, o prestigio social. O pai queria desde cedo passar esses valores para seu herdeiro. Acomodaram-se um dia e uma noite numa pequena casa de taipa, de um morador da fazenda de seu primo. Quando retornavam da viagem, o pai perguntou ao filho: - E ai, filhão, como foi a viagem para você? - Muito boa papai - respondeu o pequeno. - Você viu a diferença entre viver na riqueza e na pobreza? - Sim, papai! - retrucou o filho, pensativamente. - E o que você aprendeu com tudo o que viu nesses dias, naquele lugar tão paupérrimo? O menino respondeu: - Eu vi que temos só um cachorro em casa, e eles tem quatro. Nos temos uma piscina que vai até o meio do jardim, eles tem um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com lâmpadas fluorescentes e eles tem as estrelas e a lua no céu. Nosso quintal vai ao portão de entrada e eles tem uma floresta inteirinha. Nos temos alguns canários em uma gaiola, eles tem todas as aves que a natureza pode oferecer-lhes, soltas! O filho suspirou e continuou: - E além do mais, papai, vi que eles rezam antes de qualquer refeição, enquanto nós, em casa, sentamos a mesa falando de negócios, de dólar, de festas, daí comemos, empurramos o prato e pronto! No quarto onde fui dormir passei vergonha pois não sabia sequer rezar, enquanto eles se ajoelharam e agradeceram a Deus por tudo, até por nossa visita. Lá em casa, vamos para o quarto, deitamos, assistimos televisão e dormimos. Sabe papai, dormi em uma rede enquanto dormiram no chão, pois não haviam outras redes. Na nossa casa colocamos nossa empregada para dormir naquele quarto, onde guardamos entulhos, sem nenhum conforto apesar de termos camas macias e cheirosas sobrando... Conforme o pequeno garoto falava, seu pai ficava estupefato, sem graça e envergonhado. O filho, na sua sabia ingenuidade e no seu brilhante desabafo, levantou-se, abraçou o pai e concluiu: - Obrigado papai, por me haver mostrado o quanto nós somos pobres!

Um comentário:

  1. MORAL DA HISTÓRIA

    Não é o que você é, o que você tem, onde está ou o que faz que irá determinar a sua felicidade; mas o que você pensa sobre isto !
    Tudo o que você tem, depende da maneira como você olha, da maneira como você valoriza.
    Se você tem amor e sobrevive nesta vida com dignidade, tem atitudes positivas e partilha com benevolência suas coisas, então...
    Você tem tudo!

    ResponderExcluir